quarta-feira, abril 06, 2011

JOVENS QUE DÃO AS CARTAS NOS NEGÓCIOS ( Fonte: Diário Catarinense 03/04/2011)

                                                                                               Foto: Pronúncia


Amandio João da Silva Júnior
Presidente do Conselho Estadual do Jovem Empreendedor (Cejesc), diretor de Serviços da Associação Empresarial de Rio do Sul e dono da DB Telecom, agente autorizado da operadora de celular Vivo para empresas. Amandio João da Silva Júnior é natural de Ituporanga, tem 36 anos e desde março do ano passado está à frente do Cejesc, conselho da Facisc. É administrador de empresas formado pela Unidavi, de Rio do Sul, com pós-graduação em Comércio Internacional. É casado com Adriana, com quem tem dois filhos, Bruno, nove anos, e Diogo, de cinco.


Com associações empresariais fortes na maioria dos municípios, Santa Catarina conseguiu incentivar a formação de núcleos de jovens empresários dentro dessas entidades, e hoje tem o maior movimento de jovens empreendedores do Brasil. São 48 núcleos em cidades diferentes, que reúnem 700 empresários, por meio do Conselho Estadual do Jovem Empreendedor (Cejesc), presidido por Amandio João da Silva Júnior. Cerca de 150 jovens se reúnem voluntariamente uma vez por mês e, em média, as empresas que comandam têm faturamento mensal de R$ 200 mil. Além de buscar seu aprimoramento, têm atuação política. Em setembro, farão protesto contra o atraso da duplicação da BR-101. A trajetória de Amandio está afinada com o empreendedorismo. Abriu a primeira empresa aos 17 anos e está na terceira, a DB Telecom, que emprega 61 pessoas. Segundo ele, a força do Cejesc resultou muito do trabalho de lideranças como André Gaidzinski, Doreni Caramori e Glauco Côrte Filho, entre outros.

O que diferencia o movimento dos jovens empresários de SC?

Amandio da Silva – É o desapego dos jovens, que se mobilizam, viajam pelo Estado para participar das reuniões do Cejesc. Estamos preparando lideranças para assumir as principais entidades no futuro. Temos 11 diretorias regionais e 48 núcleos, que reúnem 700 associados. O Cejesc é o maior movimento de jovens empreendedores do Brasil em capilaridade.

Quais são as principais bandeiras do Cejesc?

Amandio – Temos uma ação muito forte contra a alta carga tributária. Fazemos o Feirão do Imposto anualmente. Acreditamos que se você reduz a carga de impostos, dá mais poder efetivo de compra para as pessoas (não como acontece hoje, com crédito a juros altos), gera mais renda, emprego e riqueza. No ano passado, vendemos quatro carros sem impostos no Estado. Um Honda Fit que custa R$ 56 mil foi vendido por R$ 34 mil. Isto chamou a atenção do país.

Como o conselho trabalha?

Amandio – Temos quatro pilares: somos voluntários, associativistas, oferecemos capacitação e trabalhamos pelo social. Cada um paga as suas despesas. Também fomentamos negócios entre os jovens e suas empresas. O meu vice-presidente tem uma empresa que fatura R$ 5 milhões por mês e tem 6 mil funcionários, o Ronaldo Benkendorf, da Orbenk, de Joinville. Temos outros que têm empresas individuais e faturam R$ 5 mil por mês. Nossa última reunião foi em Rio do Sul, onde tratamos do ensino de empreendedorismo nas escolas.

O que fazem pela capacitação?

Amandio – Nossas reuniões incluem visitas a empresas. Já estivemos no Costão do Santinho, Arcelor/Mittal e Fremax. Pelo Projeto do Empreender Competitivo ganhamos R$ 170 mil para aplicar em capacitação de empresas. Desses 700 jovens, os cem primeiros que responderam o questionário se habilitaram a participar do processo. Um consultor alemão trouxe um projeto da Baviera e vai aplicar o BSC (Balance Scorecard). Hoje, cem empresas dos nossos associados faturam juntas R$ 22 milhões por mês; 75% são administradas por homens, 25%, por mulheres e oferecem 6.800 empregos diretos. A receita mensal média é de R$ 200 mil. Se você multiplicar por 700 terá R$ 1,4 bilhão por ano.

Como pretendem protestar contra o atraso da BR-101?

Amandio – Estamos programando algo para setembro, em Tubarão. É uma vergonha essa BR-101 ainda não estar duplicada. É um problema de gestão pública. Como o Brasil empresta dinheiro ao FMI e deixa a sua população usar uma estrada dessas, todo o mundo se matando. Vamos fazer uma mobilização gigante, de impacto nacional. Talvez fecharemos a BR.

Como foi sua trajetória como empreendedor?

Amandio – Desde muito novo trabalhei. Comecei aos 11 anos como officce-boy de uma gráfica, e depois, de um despachante. Aos 17 anos, abri minha primeira empresa. Eu viajava muito como jogador de futebol de salão do Moitas, de Ituporanga, e vi um bufê de cachorro-quente em Lages. Eu tinha 14 anos. Três anos depois, emprestei dinheiro de uma tia e abri uma lanchonete. Foi um sucesso extraordinário. Mais tarde, a atividade caiu, eu fechei a lanchonete e fui estudar. Fiz Administração, pós-graduação e trabalhei como executivo de diversas empresas. Depois, comecei na área de tecnologia. Abri a Tempos, para venda de computadores, softwares e manutenção. Comecei no porão da casa da minha sogra com um computador emprestado. Logo eu tinha três filais e 60 funcionários. Paralelo a isso, em 2004, abri outra empresa na área de telefonia móvel no segmento corporativo, a DB, em parceria com a Claro. Mais tarde, vendi a Tempos e fiquei com a nova empresa. Em 2007, mudei para a Vivo. Temos quatro escritórios e 61 funcionários. Vamos abrir dois este ano e contratar mais 20 pessoas.

O esporte ajudou?

Amandio – O que me deu esse espírito de equipe e capacidade de liderar empresas foi o esporte. Eu aprendi a respeitar companheiros, estudar o oponente, ter disciplina e respeitar os superiores (técnicos).


 Nas escolas
Um dos projetos catarinenses que encantam o Brasil e que o Cejesc quer difundir é o Escola Modelo, de Rio do Sul, pelo qual as crianças estudam meio dia e no outro turno têm atividades em uma escola modelo, que inclui esporte, música e uma disciplina, que é empreendedorismo.

As crianças criam empresas virtuais e aprendem conceitos para se tornarem empresárias ou executivas. Segundo Amandio da Silva, a intenção é difundir o modelo. Isso é mudar o futuro das pessoas, observa.
*       Corporativo
Amandio da Silva prova na prática sua capacidade de liderar equipe e oferecer qualidade. A Vivo tem 670 agentes no segmento corporativo no país e, para melhorar os serviços, criou uma classificação de estrelas que vai de três até seis, sendo que a última é a pontuação máxima, que garante melhor remuneração.

– Nós somos a única empresa no Brasil que conseguiu, pelo período de quatro certificações semestrais seguidas, se manter com seis estrelas – diz o empresário.

Ele credita isso à sua capacidade de formar equipe.
*       Imposto
O Cejesc vai apoiar o Movimento Brasil Eficiente (MBE). O presidente da Associação Empresarial de Joinville, Carlos Schneider, que é um dos coordenadores do movimento, fez palestra para o Cejesc apresentando os principais pontos. Para Amandio da Silva, a bandeira do Feirão do Imposto é semelhante. Ele enfatiza que quem ganha até três salários mínimos paga 53% em impostos

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